O que eu vi quando andei em círculos


toda manhã eu acordo e penso
‘um dia a mais aqui, um dia a menos para estar lá’
aqui se tornou a condição temporária
que exaure toda a minha paciência
- esta aprendi a regar para que hoje brote espontânea

se me distraio, é como se vivesse num prólogo
aí me lembro que mais sofrido é resistir à dor
aceitei pra doer menos:
a insatisfação
apenas suportando
contando os dias
acolhendo em mim os sentimentos todos que não sou capaz de controlar
— ainda —

a porta do silêncio então
é a que eu abro e a que me serve
lá ou aqui, essa porta está sempre ali
um colo
eu sorrio, entro para esse novo dentro
que deixa fora todo o desespero de fazer alguma coisa

silêncio.
o espaço vazio onde acomodei todas as minhas pressas
de estar lá e não aqui
e decido, tranquila, nada fazer

uma outra camada de mim mesma, cética e astuta
sabe que não resolve mudar de lugar
o buraco nunca foi o lugar
mas enquanto ainda não sou plena
preciso, anseio
por muletas emocionais que não estão aqui
— calores, risos, cores, umidade —
para uma vez que eu esteja lá, entenda que não era isso

e que sempre esteve comigo a chave
de abrir a porta do presente
que deve ser mesmo a única que existe

aflita por ir embora não a enxerguei

respiro.
um dia a mais para entender que foi um dia a menos
um dia a mais no caminho interminável

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