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gente sempre me salva. 
as pessoas com suas existências sempre furam minha bolha instantaneamente, rasgando meu autocentramento e me trazendo de volta pro momento presente, onde a vida realmente tá acontecendo. 
como aquele dia que a moça do açougue me salvou. estava toda fechada por dentro, pós-choro, lembro dos meus músculos da face estarem tão duros que eu talvez não me reconhecesse se me visse no espelho. eu estava péssima, envolvida demais por problemas que só existiram na minha mente. quando ela espontaneamente me contou uma história e da raiva que sentiu, e de uma maneira tão engraçada, me disse que às vezes ''somos'' tão ruins que as lágrimas nem vem pra amenizar a emoção. eu ri. ela me ganhou. meu dia foi salvo, graças a uma pessoa que só tava precisando falar ou distraidamente contava um caso a alguém que estava disposto a ouvir. eu deixei ela falar, eu olhei pra ela, de verdade, e vi o que ela realmente era. um ser humano. que maravilhosa. fiquei muito grat…
sabe o que acontece, meu bem, é que eu não me apegarei
jamais
nunca me apegarei a toda a companhia que você tem me feito
nesses dias em que me sinto solitária como num deserto cheio de gente
não mesmo
não me apegarei nem mesmo ao carinho que você me dispensa
coisa que nenhum homem ofereceu
não me apegarei de jeito nenhum ao seu modo gentil e carinhoso
de me atribuir adjetivos sem saber se vou gostar
mas com atenção observa a reação
nem a isso, não vou me segurar
não vou me apegar à sua voz maravilhosa
que eu gostaria de ouvir todos os dias, como se fosse uma prece
nem mesmo me apegarei a todos os abraços que sonhei receber de você
e que não tenho dedos disponíveis para contá-los
não vou
não irei me apegar um só segundo aos planos malucos que,
me desculpe,
já fiz,
da gente explorando restaurantes vegetarianos por toda salvador
não vou me apegar nem um só segundo ao seu jeito
de me dizer coisas que fazem meu coração vibrar
e de vez em quando
meu cérebro explodir
não vou mesmo, não tem c…

O que eu vi quando andei em círculos

toda manhã eu acordo e penso ‘um dia a mais aqui, um dia a menos para estar lá’ aqui se tornou a condição temporária que exaure toda a minha paciência - esta aprendi a regar para que hoje brote espontânea
se me distraio, é como se vivesse num prólogo aí me lembro que mais sofrido é resistir à dor aceitei pra doer menos: a insatisfação apenas suportando contando os dias acolhendo em mim os sentimentos todos que não sou capaz de controlar — ainda —
a porta do silêncio então é a que eu abro e a que me serve lá ou aqui, essa porta está sempre ali um colo eu sorrio, entro para esse novo dentro que deixa fora todo o desespero de fazer alguma coisa
silêncio. o espaço vazio onde acomodei todas as minhas pressas de estar lá e não aqui e decido, tranquila, nada fazer
uma outra camada de mim mesma, cética e astuta sabe que não resolve mudar de lugar o buraco nunca foi o lugar mas enquanto ainda não sou plena preciso, anseio por muletas emocionais que não estão aqui — calores, risos, cores, umid…

Que tipo de arte queremos consumir?

É um pouco assustador pensar que nosso senso de estética, humor e qualidade na arte foram estabelecidos, pensados e determinados por um viés branco, hetero, magro e machista. A cultura na qual estamos inseridos determina muito mais sobre nós do que supõe nossa vã filosofia. Quem nos ensinou a acharmos bonito aquilo que achamos bonitos e acharmos feios aquilo que achamos feios ou inadequados? De onde vem a dificuldade de citar um diretor negro. Uma diretora negra? Um diretor que não seja americano ou europeu. Uma diretora brasileira. Por que não há gordos nos filmes sem que precisemos falar de seu peso ou do quanto comem? Qual a ideologia está nas entrelinhas das piadas gordofóbicas dos filmes? Como aprendemos a definir o que é engraçado e o que não é engraçado? Por que adolescentes se divertiram com filmes como American Pie cuja carga de machismo é tão imensa e aquilo nunca foi problematizado? Eu me diverti com American Pie, quantas doses de besteirol americano eu engoli até suportar…

Um achado de setembro de 2016

Criar um corpo de amor e compaixão. Sentir no ar que entra e sai o amor, todo o amor do mundo que incessantemente está presente em nós. A conexão que temos com os elementos ar, água, terra, fogo e éter (o brilho), existe porque nada somos além de água, terra, ar, fogo e éter. Uma energia criativa, que sente amor e compaixão de forma ilimitada e dança com os fenômenos. Tomar corpo de amor é incorporar esse sentimento que naturalmente faz parte de nós, é preciso nos reconhecermos no amor a na compaixão. Renascer. Além do personagem que exercemos, que tem nome, história e família, existe uma mente luminosa e criativa que acolhe, sustenta, orienta, aprimora e liberta. O amor deseja o melhor, dá, oferece, doa. A compaixão compreende, acolhe, abraça. E então não tem como dar passagem aos venenos emocionais. Tomar corpo de amor é renascer e dar nascimento novo e positivo aos outros. A pai e mãe. E a todos os outros depois. Pai e mãe antes, equilibrando assim nossa energia dos dois canais, o …

Doses Diárias

todo dia eu mastigo um pedaço do meu coração esfacelado, cada camada dele que guarda uma parte de você que tá aqui
e todo dia eu engulo de volta como comprimido, tem dias que é amargo, tem dias que é tão tão doce, mas eu engulo e não sei onde vai parar porque nunca vai embora
todo dia, todo mísero dia dessa vida incrível, eu quero te abraçar pra sempre até a gente flutuar que nem la la land
porque quando eu te abracei pareceu possível, foi verdade, todas as mentiras e improbabilidades se estendem na minha frente como factíveis quando eu lembro da gente
todo dia eu me concentro tão somente em existir o existível e deixar você viver sua vida em paz, a paz que eu desejo que você sinta
todo dia eu morro um pouco e renasço de outro jeito, completamente formatada pela paixão, apagando dados, memórias e inventando novas
todo dia minha cabeça trovoa
todo dia eu digo a você na minha cabeça “me desculpe, mas continuarei te amando” e te liberto de fazer qualquer coisa com isso
todo dia eu quero…

Love is a losing game

ontem foi um daqueles dias em que todas as músicas de Amy Winehouse pareciam revelar meu coração

eu quase me senti invadida,

Amy quem te contou tanto sobre mim?

foi como sentir aquela frustração pesada e ao mesmo tempo sorrir muito pelo alento que as canções me deram

todo mundo já teve suas esperanças moídas como grãos de café

e o resultado a gente ja sabe:

é aquela coisa fabulosa

que depois a gente bebe mesmo quente demais, mesmo excessivamente amargo, mesmo corroendo o estômago

é tão reconfortante saber que todos os bares que eu irei no verão estarão repletos de corações como o meu está:

gritando o nome de alguém que jamais virá dividir aquela cerveja

e então vamos poder dividi-la, todos nós carentes anônimos, quem sabe desanonimando-nos após trocas  de olhares

e então todos os outros vorazes se unirão também,

todos querendo lamber cada segundo da vida tão intensamente quanto for possível

 apesar do mundo ser esse moinho inescrupuloso

e vamos todos nos dar conta de que não tem nada …
eu não, mas

meu ego jaz estilhaçado no meio do chão da cozinha como um prato que caiu por acidente

dessa vez a surra foi demais, disseram que a ilusão lhe corroeu como uma úlcera sem limites, uma cólera, uma peste

foi pega desprevenida pela prescindibilidade de sua existência. achava que valia uma nota, uma estrela, um cartão postal, achou mesmo brilhar alguma coisa

não valia nada, era como qualquer outra pedra na calçada, um anel de lata de cerveja que nunca sabemos o que fazer com ele, então a gente apenas

larga


ou bota no bolso e esquece pra sempre que botou

doído e dolorido, esquisito e sem paz, meu ego agoniza e gostaria de se fundir com uma dessas paredes brancas

sumir sem precisar se explicar, seu orgulho lhe dói demais, eles não vão entender como nunca entendem

não ela de verdade

a ela do ego é a que se sente um completo nada como uma poça de chuva no barro vermelho

demora dias pra secar e fica só ali existindo sem propósito e com dias contados

ela que o ego guia, a que tem as preocupa…
Ora se eu não fui abduzida por aquela coisa que chamam de paixão


E foi como ter a certeza absoluta e instantânea de que o norte é o norte, o sul é sul e que o leste ainda está diametralmente oposto ao oeste, graças a deus


É como experienciar a realidade de que a Terra realmente gira no nada vazio


E que todas as coisas existem


É como, de repente, se dar conta de que a pessoa que a sente existe de verdade


E que tudo foi preparado para esse momento presente


É como enlouquecer e então finalmente passar a compreender o mundo que não se via antes


Os poetas são loucos, todos uns apaixonados, sucumbiram a essa febre alta que é a paixão


Não se raciocina, apenas se experiencia a dor de existir


E de entender o que Camões queria dizer com


‘É um contentamento descontente


Dor que desatina sem doer'


O dia é dia e a noite é noite


Apaixonada eu vi.


enxerguei a verdadeira cor da lua que apaixonada também persegue a gente


apaixonada eu vi os dois polos magnéticos do planeta se amarem à distância


apaixonada eu vi Sa…